Testemunhos

Atualizado: 12 de set.

Bruna Ribeiro:

O trabalho me reverberou bastante.Achei interessantíssimo e super agradável ver um butô trabalhado de forma tão fluída, simples e potente. É político, é belo, é caótico… com uma plasticidade muito atraente. São personas encantadoramente livres.rulha, o trabalho me reverberou bastante. Achei interessantíssimo e super agradável ver um butô trabalhado de forma tão fluída, simples e potente. É político, é belo, é caótico… com uma plasticidade muito atraente. São personas encantadoramente livres.


Lira Dicetaro:

Senti-me convidada infindas vezes a unir-me a vocês. Talvez corporalmente não o tenha feito por limitações de minha mente, mas senti minha alma esvaziada ao partir. Como se tivesse vivido exatamente tudo que contemplei com vocês. Como um sexto elemento atuante.


Gabriel Saito

Arrebatador! Corpos no risco de estarem na rua em um transe absoluto onde é materializada a liberdade que as artes cênicas nos proporcionam em qualquer lugar e espaço.


Leonardo Jorgelewicz:

Acho importante entender como a obra reverbera no mundo, para entender como este outro mundo que nasce do encontro com a obra, reverbera em mim. Quando algo acontece no palco, diante da minha mente e sobre meus sentidos, é como o cruzamento entre aquela matéria e minha subjetividade. No entanto, as proporções que o trabalho toma crescem muito quando vários universos se chocam nos 360° da rua, sob as nuvens. Testemunhar todas estas colisões me leva pra lugares tão múltiplos que é difícil dizer do que senti.. Eu me senti enternecido por um monstro que beijou a mão de um gari. Eu me diverti com as adolescentes rindo e correndo, em movimento de fuga mas com uma atração estranha, ambivalente. Eu senti os ânimos inflados, as reações cruéis de quem se alegra enquanto um ser vulnerável enfrenta uma força repressora. Eu senti tesão por um corpo maravilhoso e horrível. Senti tédio nalgum breve momento. Eu continuei sentindo as presenças daqueles seres depois que eles se foram. Os rastros dos seus movimentos ainda estão lá, e talvez continuem a cada vez que alguém que viu aquilo retorne àquele lugar. Eu me incomodei com a desconfiança dos cães que se sentiram ameaçados. Eu fiquei emocionado com os acordes finais da guitarra. Eu senti coragem para bradar contra um policial. Eu fui embora cheio de sensações inexplicáveis e contraditórias. Eu deixei meus olhos desfocarem para sentir meu corpo naquele instante. Eu queria que eles tivessem ficado mais tempo e mais devagar. Eu senti saudade de alguma coisa que não sei explicar o que é... tudo parecia um sonho e/ou um pesadelo.


Ana Paula:

Eu acho que era tudo muito vivo. Existe algo de resistência e resistido mas performances dos dançarinos, sempre uma tensão - inclusive construída com o público - que faz uma analogia à vida. Na hora que os dançarinos saíram do chão, e subiram nas coisas, nas pessoas... Achei que aproveitaram o máximo o espaço. Parecia que eu estava vendo yokais. Sabe a morte do sujeito do Bataille? Parecia que os dançarino eram outras coisas, não mais pessoas. Então desse ponto de vista, acho que foi um sucesso. O público ficou tímido porem. Seria legal se tivessem batido palmas. Mas daí vai do público. Um cara do meu lado estava alucinado querendo bater palmas, mas a esposa não deixava pq era falta de educação. Eu tentei puxar, mas o público muito tímido. O menino à nossa frente, porem, amou. Ele amava a pessoa vestida de vermelho. O de marrom ele fez uma cara de nojo que foi engraçada, mas interagiu com todes.


Lucio Dicetaro:

Seres multiformes. Algo no ar. Por se definir. Emoções, sentimentos encarnados. Em pulsão. Ódio. Tristeza. Alegria. Amor. A ordem. O caos. O equilíbrio e o desequilíbrio. No fim, não importa a forma. Bizarra. Bela. O que importa é que se expressam. Movem-se. Vivem. Extensões de cada um dos presentes.


Sarah Romero:

Meuuu, no começo tive uma sensação de medo, estranhamento (eu tenho medo de pessoas fantasiadas lkkkk). Mas conforme fui me mantendo conecta com vocês eu não conseguia parar de olhar e me manter ali. Juro que fui de medo a sintonia com vocês. Depois fiquei até com vontade de estar ali me movimentando junto com vocês. Se fosse definir em palavras: medo, euforia, delírio, libertação, sintonia, conexão. Eu senti realmente seres que queriam liberdade... Liberdade dos próprios corpos, liberdade entre si, liberdade do mundo. O desejo de se expressar de diferentes formas.


Rayana Miyamoto:

Sobre a apresentação, adorei a forma como vocês exploraram o espaço, achei que vocês conseguiram se relacionar bem com a praça, até mesmo com os aparelhos de ginástica, esse foi um momento que percebi que o público achou engraçadinho e gostou. Gostei também da interação com o público, isso foi algo que quebrou a expectativa, pois muitas pessoas sentiram que só iam ver a apresentação e do nada fizeram parte dela, o que fez com que vocês conseguissem ganhar a cumplicidade do público.

Gostei que vocês se afastavam e se aproximavam da plateia diversas vezes, isso fazia a gente ficar curioso pra saber o que ia acontecer, tornando, dessa forma o espetáculo mais interessante.

Uma coisa que eu senti falta, foi a interação com os carros que passavam, porque todos diminuiam a velocidade e ficavam curiosos pra saber o que estava acontecendo, acho que se vocês conseguissem dar um tchauzinho ou algo do tipo, podia ser que as pessoas que passavam de carro quisessem vir para a apresentação, podendo até parar o carro em algum lugar e ir assistir, porque acredito que assim, vocês conseguiriam estabelecer a relação de cumplicidade com esse público também e por meio da cumplicidade vocês ganham a plateia.

Mas no geral é isso, gostei bastante e é uma pena que essa foi a última apresentação de vocês, porque é um espetáculo que eu realmente gostaria de assistir novamente. Parabéns aos dançarinos , aos músicos (que arrasaram nas músicas que casaram muito bem com cada coreografia e com cada movimento dos dançarinos), parabéns ao grupo e a todos os envolvidos.


Pedro Ernesto:

https://www.youtube.com/watch?v=Ye0-Bc6u0x8



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