OSSOS | do meu lixo cuido eu

Atualizado: 29 de abr.






os tempos chamam e é preciso despertar. as patas buscam caminho e puxam o corpo para fora da concha.










corpo velho e cansado rasteja. desacostumado a esse mundo, ainda não reencontrou as pernas para caminhar. sua parte mais nobre e suja sente falta da concha, mas sabe que precisa se esgueirar pelas frestas do solo afora.









desperta de fato e se espreguiça. seu antigo exoesqueleto limita seus movimentos e precisa dar lugar a um corpo pronto para a batalha.









encontra sua morada. uma sarjeta com tudo aquilo que chamam de lixo. cheia de água parada e sujeiras preciosas. gosta do mau cheiro e deseja o sórdido.



mas querem tirá-le de lá. querem "limpar". e isso não será permitido. é hora de lutar. bater, apertar. pinçar. grunhir. babar. espumar. nervoso, anda de um lado para o outro para afugentar.



protege o que é seu a todo custo. bate no peito. bate na cara de quem tenta chegar perto ou ousa tocar seu tesouro. ninguém desse mundo pode se aproximar.


e com o território seguro, é hora de chamar as profundezas. que venham mais e mais. e que ajudem a espalhar lixo, a entupir as sarjetas, a lotar os ralos. não vai sobrar cano, nem asfalto.







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